Detalhes : linhas de Torres

fotografia de António Ferreira Pinto

"A norte do Tejo foram, portanto, organizadas três linhas defensivas. Não se tratava de uma barreira contínua como a Muralha de Adriano ou a Grande Muralha da China. Era, antes, um misto de obras defensivas e de formações naturais do terreno. Ao todo eram 153 fortificações que, estando completamente guarnecidas, implicavam a utilização de 39.475 homens e 628 bocas de fogo de artilharia. Este conjunto de três linhas estava dividido em 8 distritos, cada um com o seu comando militar:
  • Primeira Linha era guarnecida por 18.683 homens e 319 bocas de fogo. Estava dividida em quatro distritos:
DistritoGuarnição
HomensBocas de fogo de Artilharia
Distrito nº 1 - desde a posição (1) na linha assente sobre o Tejo, que atravessa a planície de Alhandra, até ao Moinho do Céu (11), por cima da estrada da Arruda.6.28096
Distrito nº 2 - desde o forte do Passo (12), na escarpa rochosa por cima da estrada da Arruda, até ao forte avançado, à direita da estrada que segue para o Sobral (152).3.09055
Distrito nº 3 - desde o reduto para artilharia de campanha (151) na Patameira até ao reduto sul (29), perto de Enxara do Bispo.1.90024
Distrito nº 4 - desde o Forte Novo da Ordasqueira (149), por cima de Matacães, para defender a estrada de Runa, até à posição (113) na foz do Sizandro.7.413144
  • Segunda Linha era guarnecida por 15.442 homens e 215 bocas de fogo. Estava dividida em três Distritos:
DistritoGuarnição
HomensBocas de fogo de Artilharia
Distrito nº 5 - desde o reduto do Salgado (33), na margem do Tejo, à direita da posição de Vialonga, até ao reduto (19) na Serra da Ajuda.3.50272
Distrito nº 6 - desde a plataforma para artilharia, à direita (49), no desfiladeiro do Freixial, até ao reduto (73), na estrada de Mafra, Casal do Conto.5.64073
Distrito nº 7 - desde Casal da Pedra (74), no desfiladeiro de Mafra, até ao reduto de S. Julião (97), junto à costa atlântica, a sul da Ericeira.6.30070
  • Terceira Linha constituía um único distrito, o Distrito de Oeiras, e era guarnecida da seguinte forma:
DistritoGuarnição
HomensBocas de fogo de Artilharia
Distrito nº 8 - desde a fortificação principal conhecida como "Alto Algueirão" (98), onde se encontra o actual quartel-general da NATO, até à posição (110), na linha que se estende para a direita do Forte das Maias.5.35094
As duas primeiras linhas estavam, assim, concebidas para barrar os quatro eixos definidos pelas quatro estradas que as atravessavam e por onde poderiam avançar as tropas francesas: Torres Vedras-Mafra, Torres Vedras-Montachique, Sobral-Bucelas e a estrada ao longo da margem do Tejo, passando por Alhandra. Fora destes itinerários, tornava-se impossível, em muitas extensões de terreno, a passagem da artilharia e de carros de apoio, ou mesmo da cavalaria.
Mapa com representação das Linhas de Torres Vedras (Primeira e Segunda Linhas) e das posições ocupadas pelo exército de Wellington
Os trabalhos foram cuidadosamente localizados, de forma a tirar vantagem do terreno rochoso, muito irregular e, por vezes, constituindo só por si um obstáculo. Os redutos variavam em tamanho e forma, de acordo com a importância que era dada à sua utilização e à morfologia do terreno em que se situavam. Esta grande adequação ao terreno mostra uma extraordinária adaptabilidade por parte dos engenheiros britânicos.
As estradas que conduziam às linhas e as que estavam traçadas paralelamente a estas, foram destruídas, assim como as pontes que nelas se situavam. Todos os vales e passagens foram bloqueados com represas, abatises ou até muros de pedra. Em algumas colinas, a aproximação já íngreme foi transformada, tornando-se quase vertical, pela remoção de muitas centenas de toneladas de terra. Muitas colinas ficaram com o seu perfil alterado.
Para facilitar os movimentos das tropas e as comunicações laterais foram construídas estradas em algumas contra-encostas, protegidas da vista do inimigo. Estas estradas permitiam o rápido movimento de forças e dos abastecimentos entre qualquer ponto das linhas, do Tejo ao Atlântico. A transmissão de mensagens estava também assegurada por um conjunto de estações semafóricas que permitia enviar informação, entre qualquer ponto das linhas e o quartel general de Wellington, num curto espaço de tempo."

"O exército anglo-luso entrou nas linhas entre 9 e 11 de outubro de 1810. No dia 11 todas as tropas encontravam-se ao abrigo deste sistema defensivo. As tropas de milícias e também de ordenanças guarneceram as diferentes obras de defesa e aí receberam treino de manobras defensivas. Nos quartéis-generais, onde se encontrava o comando de cada Distrito, foram estabelecidos depósitos de abastecimento. Aí foram também colocados dois oficiais de engenharia com a finalidade de explicar a natureza e o objecto das diversas posições preparadas para que, assim, as tropas as ocupassem e utilizassem da forma mais conveniente. Foi também montado um sistema de guias a cavalo para dirigirem as colunas de tropas que iam entrando nas linhas para as áreas que lhes estavam destinadas.
As tropas do exército anglo-luso foram utilizadas como uma força móvel e não como guarnição as posições defensivas. Desta forma, estariam sempre disponíveis para se movimentarem para qualquer ponto das linhas onde a ameaça francesa viesse a colocar em perigo a integridade da defesa. Tendo em consideração os eixos segundo os quais um eventual ataque por parte dos franceses seria mais provável e mais perigoso, Wellington dispôs o seu exército, com excepção da 3ª Divisão (Picton), em dois blocos: um em frente ao Sobral, entre Monte Agraço e Runa; o outro, na região de Alhandra. O quartel-general de Wellington ficou colocado na Quinta do Barão de Manique e o de Beresford no Casal Cochim, em Pêro Negro. As unidades do seu exército foram distribuídas da seguinte forma:
  • a 3ª Divisão (Picton) foi colocada na região de Torres Vedras;
  • as 1ª, 4ª e 5ª Divisões (Spencer, Cole e Leith), a Divisão Ligeira (Craufurd) e uma Brigada Independente portuguesa (Pack) ficaram na região em redor do Sobral, entre a Cadriceira e a Arruda;
  • a 2ª Divisão (Hill), a Divisão Portuguesa (Hamilton) e uma Brigada Independente portuguesa (Lecor) ficaram na região de Alhandra;
  • o grosso da cavalaria de Welligton encontrava-se em Vialonga;
  • uma Brigada de Infantaria britânica (Anson) e um destacamento de cavalaria encontravam-se em Mafra;
  • as tropas espanholas de La Romana (cerca de 8.000 homens) foram colocadas na região a sul da Enxara do Bispo.
Estas tropas, as que ocupavam as obras defensivas, a população de Lisboa e arredores e toda uma multidão que tinha sido transferida da região a sul do Mondego, viviam agora neste espaço da península de Lisboa. Não era possível, num espaço tão pequeno, obter alimentação para tanta gente e os abastecimentos que chegavam a Lisboa, por mar, iam essencialmente para as tropas. Estima-se que 2% da população portuguesa (de 40.000 a 50.000 pessoas) tenha perdido a vida devido à fome e às doenças. Esta situação prolongou-se até Fevereiro de 1811, quando os Franceses começaram a retirar."
 Informação copiada da Wikipedia

Quem tem histórias para contar sobre as linhas de Torres Vedras ou sobre os tempos das invasões francesas ? Por favor contactem-nos para movimentogentemalhandra@gmail.com ou no Facebook no grupo Gente em Alhandra - Fotografia. (Se tiverem informação sobre a guerra civil entre absolutistas e liberais  também vale.)
Obrigado.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Detalhes : Esteiros

Detalhes : Capela de Nossa Senhora da Conceição do Portal